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Foto: Antonio Lima

Manaquiri (AM) –  Os moradores das comunidades do entorno do lago do Janauacá, no município de Manaquiri, a 64 quilômetros de Manaus, acordaram mais cedo que o normal ontem. Com o fim do período de defeso do mapará decretado à meia-noite do dia anterior, várias famílias se dirigiram àquelas águas em busca do peixe que enche os cofres e bolsos dos ribeirinhos todo mês de março.


Na manhã de ontem, o cenário no Lago tornou-se cinematográfico: era possível ver vários barcos pesqueiros, canoas, malhadeiras, famílias inteiras pescando, retirando as vísceras do peixe e pesando a mercadoria. O peixe vem em abundância: num único lance, há malhadeiras que retiram do lago 400 quilos de pescado. A quantidade, obviamente, aumenta o faturamento das famílias pesqueiras, que em dois ou três dias arrecadam cerca de R$ 2 mil.

Vendido a R$ 1,40 o quilo para dois frigoríficos de Iranduba, o mapará é pouco consumido no Amazonas – a maior parte da produção do Manaquiri vai para países da América do Sul como Venezuela, Equador e Colômbia. Apenas nos últimos anos ele vem sendo adotado em escolas públicas, por meio de programas de regionalização da merenda escolar, e utilizado para fabricação de refeições em algumas empresas do Distrito Industrial.

A dinâmica do mapará é a seguinte: de novembro a março, época do defeso, é proibido pescar o peixe. Em março, quando o defeso termina, praticamente todos os pescadores das redondezas correm para pescá-lo. A população do peixe é tão grande que todo mundo lucra muito: nos primeiros dois ou três dias após o fim do defeso, cada pescador consegue apanhar entre 1,5 e 2 toneladas. Para otimizar o resultado, eles passam o dia todo no Lago e recrutam mão-de-obra familiar - então, é comum encontrar filhos, tios, sobrinhos, todos na mesma embarcação. A corrida pelo peixe é tão intensa que, após esse início fulminante, a população de maparás cai assustadoramente após esses dias iniciais.

A dinâmica foi estabelecida há três anos, após um acordo entre a Prefeitura e a Colônia de Pescadores do Lago do Janauacá. Anteriormente, o Lago era invadido por pescadores de todo o Estado, que utilizavam equipamentos melhores e mais eficientes que das famílias de Manaquiri – quebrando o caixa de todas elas. Com o “ordenamento”, como ficou conhecido este processo de disciplinamento da atividade, foram definidas regras para a pescaria como período, equipamentos e quem poderia pescar no Lago. Este processo aumentou a população do peixe disponível no lago e o faturamento das famílias.

 

Jorge Eduardo Dantas
Da equipe de A CRÍTICA

Fonte: Jornal acrítica, 17 de março de 2010.

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