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Home seta Notícias da FFV seta Homenagem a Chico Mendes.
Homenagem a Chico Mendes. PDF Imprimir E-mail

"Casos e descasos no reino de sua majestade, o Tuiuiú"

O paraíso devia ser parecido com isso aqui quando se idealizou o jardim do Éden com Adão, Eva, frutas, serpentes e tudo só não acredito que fosse tão quente assim.

Santuário onde a natureza ainda respira e inspira o pintor, poeta, escritor o artista e sua musa: a vida pura e nua inteiramente crua, ela dorme e desperta aqui

adormece no sono da caça que é diurna noturno, o predador, desperta faminto e voraz e nesse equilíbrio natural e sagrado outros paraísos já foram extintos

porque nós assim o quisemos.

Boa vontade alguns têm, há provas disso nessa inspiração que se chamou PIRACEMA mas se Jurema ou Iracema, crianças sentem fome e o pai é pescador, o que fazer?

Se o PANTANAL esconde o lado ilegal e desumano do ASSENTAMENTO TAQUARAL lamaçal e valões também existem, nessa região meninos barrigudos pescam as suas refeições

sempre às margens dos rios, da vida e isso até depois do mar, do desaguar e enquanto a ONÇA e a ESPERANÇA não forem protegidas por lei haverá sempre muitos contraventores

a cada vez que o estômago indagar: cadê?

Pois entre o difícil salário, mínimo em tudo e um valorizado couro bem tratado, lustrado que me perdoem os ecologistas, naturalistas mas essa história tem pelo menos quatro versões:

a do contrabandista envolvido até o pescoço, a do animal, raro ou comum, que não quer se deixar matar, a do homem, que sem escolas, não pode ler campanhas e a do político que só quer se promover

e no futuro virão os arrependimentos e os lamentos pelo que se podia ter feito se eleito, a plataforma, então desaba e é pena o TUIUIÚ não ter acesso ao Congresso

nem a ARARA poder tagarelar em prol dos bichos.

Quem dera o MACACO pudesse advogar em causa própria, greve do PINTADO, PACÚ, DOURADO contra as redes da pesca predatória, já proibida e não abolida pela vida, até a PIRANHA ser ouvida – e porquê não?

É natural que se ouça os apelos dos rios para que se preserve seus IGARAPÉS e CAMALOTES. É covardia a ANTA, CAPIVARA, PORCO DO MATO fugirem da ONÇA PINTADA e do homem também.

E nem todos caçam por diversão há aqueles que não aprenderam outro ofício caçadores de fato e por pura sobrevivência mas há negligência, propina e má fé também

pelas entranhas desse nosso grandioso PANTANAL.

Aí a mata vira um campo de batalha dos animais, em extinção ou não, por seus direitos viver ou não, eis a questão, POLÍCIA FLORESTAL, matador casual ou usual, GOVERNO FEDERAL?

E há até quem goste do animal em cativeiro, matreiro o GAMBÁ protegido por seu cheiro, o PÁSSARO engaiolado canta de tristeza de saudade, sem compreender porquê

e do voar livre – para o que foi feito - antes que algum sujeito o aprisionasse e o guardasse para o próprio prazer de uma alma menor que o alçapão

onde a razão e o coração não se entendem nunca.

Essa maravilha se torna então uma INDÚSTRIA ILIMITADA e nessa guerra entre o protetor e o interesseiro nem o posseiro e nem o coureiro admiram a beleza da cascata que para o poeta são lágrimas

que rolam pelas pedras, mas não impressionam àqueles que não vêem o que nunca vão querer ver como os grilos e sapos, besouros e pernilongos que a propaganda lucrativa não mostra

o que atrai o turista é a vista quando bonita do PANTANAL, cartão postal, como o CRISTO REDENTOR que abre os braços, mas nunca o jogo, lindo, sem dúvidas, mas quanto tempo vai durar

essa doce sinfonia, de pássaros e bichos, no seu habitat? E nesse chove-não-molha, blá... blá... blá... blá... às vezes chove, prenunciam as queimadas condenadas pelos técnicos e sensatos e a vida vai ficando prá depois

apesar dos tantos CHICOS, Mendes ou não, guerreiros pantaneiros como os amazônicos afônicos numa luta sem tréguas e sem vitórias, enquanto isso for B-R-A-S-I-L.

E caíram, caem e continuarão caindo leis como se fossem escritas a lápis, parciais demais, nominais e endereçadas como se estivessem num leilão: quem dá mais?

O respeito ao homem também está em extinção! Lamenta o seu primeiro habitante, o ÍNDIO. que sempre tratou o bicho com respeito posto agora em segundo ou décimo plano figura exótica, que por não ser erótica, vestiu jeans

ou abandonou a mata para virar peão expulso do seu mundo, mal aceito no nosso reza um PADRE-NOSSO, o padre é o Pajé de pé na igreja, com uma mão na frente e outra atrás

enganado mais uma vez pelo homem-branco e por um evangelho que manda ter calma, dar a outra face mas como esperar se o tempo urge, voa, tudo voa primeiro o índio, depois o bicho, depois o pássaro

e assim ... e à toa ... e de graça, vão-se enfim as GARÇAS, desse imenso jardim.

Obra publicada pela Associação de Novos Escritores de MS., no ano de 1991.

Notas sobre o autor:

Cláudio Elias Rodrigues nasceu em 06 de abril de 1959, na cidade de Colatina-ES, casado e pai de dois filhos. É militar da reserva da Marinha, tendo servido por três anos na cidade de Ladário-MS, onde foi convidado a participar do livro Memórias Pantaneiras-I, residindo atualmente na cidade de Salvador-BA, onde se aposentou e decidiu fixar residência

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